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Feijão [andu] com Arroz [vermelho]

Ganhamos de presente, há um tempo atrás, mais ou menos 500 g de feijão andu pré-cozido e congelado, importado diretamente do norte de Minas Gerais, quase divisa com a Bahia. Eu já tinha comido feijão andu há muito tempo, quando era criança ou adolescente e tinha ficado na minha memória como “comida de adulto”. Talvez porque era meio amargo e não tinha aquele aspecto escandalosamente caudaloso do feijão da vovó. Enfim, eu precisava pesquisar um pouco para entender com quê eu estava mexendo e tentar fazer alguma coisa de interessante com ele.  A Pri mesma nunca tinha comido.

Há dois tipos de preparo que são mais difundidos. O primeiro, que eu suponho ser mais bahiano (porque é o que a minha vó passou para frente e que o meu pai gosta), é um que vem nadando num molhinho ralo de tomate. Esse é o que eu tinha comido. O segundo é o que eu suponho ser mais mineiro, que é, na verdade, um tropeiro de feijão andu, cheio de bacons, linguiças, ovos etc. Descobri ainda que o feijão andu é natural da Índia, mas lá eles preparam com curry (que novidade), mas usam o feijão seco do jeito que a gente faz feijão “normal”, diferente dos preparos brasileiros que o utilizam meio verde. Descobri também que o feijão andu é, entre os feijões, que já são ótimos fixadores de nitrogênio no solo, um dos melhores. Vem daí que se plantar feijão andu é ótimo para recuperar a fertilidade do solo. Existem lá umas tantas crenças de que ele não é bom para isso ou aquilo, mas sinceramente, me parece tudo preconceito. Feijão andu é comida de pobre, de gente que passa fome. E normalmente essa gente sabe de comida nutritiva, porque precisa. Isso tudo tá no registro das comidas desprezadas por preconceitos os mais diversos, incluindo nosso Arroz vermelho que, talvez, por uma afinidade subliminar eu acabei tendo vontade misturar no meu preparo final.

Pois bem, a última referência foi uma ideia daquele menino, o Rodrigo Hilbert, que eu vi colocando batata-doce e abóbora em uma feijoada. Dito isso, vamos ver o que saiu.

– 2 colheres de sopa de bacon picado.
– 1 linguiça calabresa defumada cortada em rodelas bem finas (os pedaços da ponta que não viraram rodelas eu reduzi a cubos e juntei ao bacon).
– 350 g de lombo de porco cortado em cubos grandes.
– 1 batata-doce pequena cortada em cubos.
– 1 teco de abóbora – daquelas mais firmes que tem o formato de uma abobrinha (daquelas fálicas, hermas) gigante – mais ou menos do mesmo tamanho da batata-doce.
– 1 cebola cortada do jeito que você quiser.
– 1 pimentão verde cortado em cubos.
– uns 250 g de feijão andu.
– 1/2 xícara de arroz vermelho.
– 1 cabeça de alho com os dentes meio esmagados meio cortados.
– 1/2 maço de coentro.
– o mesmo tanto de manjericão.
– um tanto de alecrim.
– outro tanto de pimenta-do-reino.
– 1 colher de chá de cominho.
– um pouco de vinagre balsâmico.
– um pouco de conhaque.
– um pouco de óleo.
sal.

A primeira coisa é temperar o seu lombo algumas horas antes. Faça uma marinada usando 2/3 do alho que você tem, pimenta-do-reino, alecrim, o balsâmico, o conhaque, o óleo e sal (normalmente eu não ponho, mas nesse caso a ideia é secar um pouco mesmo).

A segunda coisa é preparar o arroz na pressão, segundo as instruções básicas que são, refogar o resto do alho com um pouco da cebola, umas 3 porções de água e panela de pressão por 25 minutos. Cuidado para não queimar, dado que é pouco arroz. De repente, vale a pena por mais água, ou então fazer na panela normal; só leva mais tempo. O ponto é tipo al dente. Separe.

Ultima fase: o cozido. Usei uma panela de ferro e coloquei o bacon para soltar sua própria gordura e virar um torresmo. Uma vez obtido o resultado, coloque os pedaços de lombo com cuidado e deixe eles darem uma tostada dos dois lados, meio que selando e para formar também a nossa borra amiga. Depois entre com o pimentão, a cebola e linguiça. Mexa tudo deixando refogar por pouco tempo e depois jogue um pouco de água para recuperar a borra escura. Coloque a batata e a abóbora e cubra tudo com água. Deixe cozinhando com a panela semi tampada por uns 20 minutos. Enquanto isso, dê uma tostada no cominho em uma frigideira teflon e depois macere ele num pilão. Acrescente o cominho e o feijão e deixe outros 15 a 20 minutos. O ponto é quando a batata estiver cozida, querendo desmanchar e os pedaços de lombo sendo capazes de se cortar com a colher. Faltando uns 5 minutos (exercite sua capacidade de premonição), misture o arroz no seu cozido.

Desligue e coloque coentro e manjericão picados juntos e misturados por cima. Eles vão se misturar na hora de servir. (O manjericão tá no lugar de alfavaca, que eu tenho a impressão que, no fim das contas, é tudo a mesma coisa.)

A gente serviu com couve refogada e farinha de mandioca tipo biju. A farinha é essencial, não se esqueça!

CarnesReceitas

GuGomes • 05/10/2013


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Comments

  1. Mariza Monteiro Borges 06/10/2013 - 02:17 Reply

    A Pri esqueceu que não só experimentou como colheu e debulhou o feijão. Quando morávamos na SQN 206, a D. Maria Regina saiu para caminhar com as meninas e encontrou um arbusto de feijão andu carregado de feijão maduro. No dia seguinte, munidas de sacola foram colher o feijão e ajudaram a avó a prepara-lo, Vai longe este tempo mas não esqueci da aventura e da tagarelice em torno de uma bacia no debulho do feijão.

    • priborges 08/10/2013 - 00:14 Reply

      lembro bem da eventura de colher os feijões, não lembrava que era andu!

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