7

Batatinhas ao vinho (ou Batatinhas do Marcelo)

Um jeito nobre, aromático, fácil e saborosíssimo de preparar aquelas pequenas batatinhas que eram muito comuns de serem servidas au vinaigrette em casamentos nos anos 90. Aprendemos na sexta com o Marcelo e já replicamos na segunda para você ver como o negócio é viciante. (Estamos na casa dos meus pais e o velho já anotou e racionalizou a receita, que é o que nos permite postar assim tão rapidamente. Quem sabe dá tempo de você fazer para hoje à noite, se é que você vai encontrar algum supermercado aberto a essa hora… ou, então, você pode pegar meio saco de batatinhas daquelas que o seu cunhado comprou, mas que sua irmã achou que ia ser um exagero assim fazer tanta batatinha no vinagrete, dado que não vem tanta gente assim e já tem muita comida…)

Mas vamos a elas. Ingredientes:

– 1,2 kg das famosas “batatinhas para vinagrete” (era assim que estava escrito no Shinai, mercadinho de iguarias de Maringá), lavadas e partidas ao meio com casca.
– 500 g daquelas deliciosas “mini-cebolas para vinagrete” ou chalota (échalote (fr.), shallot (en.) conforme a wiki) descascadas.
alho de 3 cabeças, descascados inteiros (sem amassar).
– 6 ramos de alecrim fresco (essa medida é difícil, eu sei; tem gente que chama isso de “a gosto”).
– 1 colher de sopa de sal grosso. Tem que ser sal grosso; tem toda uma explicação científica sobre como o sal grosso altera a capacidade térmica da mistura, portanto, acredite.
– 2 garrafas de vinho branco. Recomendo os do tipo vagabond, afinal são duas garrafas. A gente misturou aqui uma garrafa de um vinho doce e outra de seco; deu uma adocicado gostoso.
– 500 ml de azeite de oliva. Mesma recomendação a respeito do vinho, ou seja, do mais barato. Você não quer queimar azeite bom. Os melhores são aqueles só virgens (não extra virgens, tipo o galo vermelhinho). Eles acabam sendo mais saborosos; faça o teste com chimichurri e você vai entender o que eu estou dizendo.

Agora o processo. Pegue uma panela grande, provavelmente a de maior diâmetro que você tiver (que tenha tampa) e coloque tudo lá: batatas, chalotas, dentes de alho, sal e alecrim. Dê uma misturada com as mãos e despeje o vinho. Arrume as batatas de modo que elas fiquem todas submersas (a medida de 2 garrafas é aproximada; você precisa do suficiente para cobrir todas as batatas). O alho e as chalotas (adorei esse nome) vão boiar, então não ligue muito para eles.

Em seguida, despeje o azeite no centro da panela. De novo, a medida é aproximada: a quantidade de azeite que você precisa é o suficiente para cobrir todo o vinho. Você quer despejar no meio para ele se distribuir de forma homogênea e fazer menos espuma. Quando o azeite bater por igual em toda a borda da panela, você está pronto.

batatinha crua

Tudo pronto, ligue o fogo alto e tampe a panela. Use a maior boca que você tiver e se tiver aquela quinta boca central é uma boa hora para utilizada. O que vai acontecer agora é o seguinte: o vinho vai ferver e cozinhar as batatas, chalotas e o alho. Ele vai ferver e exalar um aroma desesperadoramente delicioso pela sua casa, que vai deixar seus convidados em pé-de-guerra. Vai demorar e eles vão querer te matar. Talvez seja uma boa se prevenir e começar esse negócio 1 hora ou pelo menos meia hora antes de eles chegarem. A velocidade evidentemente vai depender do seu fogão.

Não tem que mexer nem fazer nada. Deixe a parada lá fervendo sossegada, olhando de vez em quando para ver se ainda tem vinho. Quando o vinho acabar (na verdade eu acho que ele não acaba, mas se reduz e se mistura de alguma forma mágica ao azeite), a parada toda vai começar a fritar.  Quando começar a formar uma borra na panela você fica ligado; está quase pronto. Tire a tampa e fique observando. O ponto é o alho dourar – preste atenção porque é muito rápido. Apague o fogo e use uma escumadeira para retirar da panela (senão continua queimando). Coloque um dos raminhos do alecrim que, se você leu tudo antes de começar a fazer, você reservou, e sirva lançando mão daqueles garfinhos de dois dentes que você ganhou daquele seu primo de presente de casamento e você nunca tinha usado. É tudo de comer, inclusive o alho e a cebola.

A Pri deu uma ideia aqui que vai ser executada logo mais: o azeite que sobrou vai virar, junto com o saco de pão francês que sobrou do churrasco de ontem, deliciosas torradas. Se a sua turba de convidados – a essa altura transformados em zumbis famintos devido ao elixir malévolo que emana da sua panela – for muito grande, você pode pegar um pouco daquele azeite aromatizado e despejar num pratinho e deixar que eles se lambuzem munidos de pão francês novo, ou aquele pãozinho especial que você comprou para a ocasião.

A despeito de tudo o que eu escrevi aqui – evocando as famigeradas batatinhas no vinagrete – eu juro que essas batatas vão te dar a impressão de estarem comendo uma das coisas mais gostosas da sua vida (ainda mais depois de esperar um hora e meia para elas ficarem prontas). Esbalde-se.

Receitas

GuGomes • 31/12/2012


Previous Post

Next Post

Comments

  1. Macarrão caseiro com molho de tomate e pimentões ao vinho « Gororoba com Cardamomo
  2. Maria do Céu Santos Silva 06/06/2013 - 21:12 Reply

    Fiquei maravilhada com a receita, só vou esperar o dia amanhecer e vou comprar os ingredientes para fazer no final de semana. Gostaria de saber se posso conservar? se possível como fazer isto? Obrigada!

    • gugomes 08/06/2013 - 12:06 Reply

      Olha, dado que vai um monte de azeite, é possível guardar por vários dias na geladeira. A gente já guardou. Fica gostoso também frio (embora recém saído da panela é o que há). Eu não sei dizer quanto tempo dura, então não faça muito não.

  3. Juliana 25/10/2013 - 19:38 Reply

    Perfeita a receita! Achei um pouquinho salgada, já fiz quatro vezes e nas últimas coloquei só uma colher de sal. Ah! Também tem briga pelos dentes de alho, então ando colocando bastante! É realmente uma das coisas mais deliciosas do mundo. Ótima para receber os amigos! Obrigada por dividir!

    • gugomes 26/10/2013 - 01:57 Reply

      Juliana, nem sempre as quantidades que a gente posta são muito precisas. A gente faz as coisas meio de olho. Então você fez muito bem em acertar o sal para o seu paladar. A gente provavelmente não usou isso tudo porque como a gente não come muito sal, acaba que somos muito sensíveis a ele. Vou editar a quantidade.

      Detalhe: vc já fez mais vezes do que a gente!

  4. Kalina Saraiva de Lima 31/05/2015 - 18:50 Reply

    receita show! fiz ha duas semanas atras para uma reuniao de amigos. o povo amou. comeu tuuuudo. vou fazer de novo. so aprendei que devo ir devagar nas quantidades do azeite e do vinho, porque depende do peso dos outros ingredientes. fiz mais ou menos a metade da receita de voces. minhas batatinhas ficaram maravilhosas, mas devo por menos azeite da proxima vez. um abraco pra voce.

    • GuGomes 31/05/2015 - 18:59 Reply

      Outra coisa que tem que ficar ligado é no sal. A gente também teve que fazer algumas vezes para acertar. O pior é que eu faço no olho e nem lembro se o tanto que está na receita não é muito.
      Esse negócio é excelente para uma reunião de amigos. É um dos que mais as pessoas me contam que reproduziram.

Deixe uma resposta