Arroz Vermelho com Cozido Verde

Com essas cores, podia ser um prato português. E até que tem elementos lusitanos: couve, brócolis, linguiça defumada. Mas é mesmo uma gororoba que a gente inventou hoje no almoço pra testar o arroz vermelho. Eu não me lembro de ter comido antes.

O arroz vermelho era típico no Brasil até que chegou o Dom João VI e resolveu que todo mundo tinha que comer arroz branco. A desculpa é que era mais fácil de fazer e rendia mais. Ele não sabia das demais propriedades nutritivas dessa comida tipicamente nacional. Dizem que restaram alguns focos de resistência no nordeste, se não me engano na Paraíba. Bom, mas eu mesmo nunca tinha comido e não tinha ideia de como fazer.

Depois de algumas pesquisas descobrimos que as pessoas comem o arroz vermelho tanto do jeito normal (leia-se acompanhando alguma outra coisa) como misturando coisas como se fosse um risoto. Num primeiro momento era mais ou menos essa última opção que a gente ia tentar. Mas como nossa misturo para o risoto começou a tomar a forma de um cozido e a proporção de arroz não ia configurar bem um risoto (no máximo um mexido com pouco arroz), resolvemos separar as duas coisas.

O preparo do arroz foi normal. Refogamos alho e cebola com um pouco de sal e depois uma parte de arroz vermelho para 4 partes de água na pressão por 30 minutos. Ficou bom, se quiser mais al dente recomendo deixar um pouco menos, talvez 27. Para duas pessoas 1/2 xícara de arroz é suficiente. Na hora de servir colocamos um monte de coentro por cima. Adoro coentro.

O cozido já demanda uma lista de ingredientes:

– 1 linguiça calabresa  defumada, cortada em fatias finas (pré-preparo: aqueça-a por 30 segundos no microondas coberta com papel toalha umas 4 vezes para tirar o excesso de gordura; você não precisa disso)
– 1 fatia de bacon fatiado (a redundância é para te dar a ideia da espessura; corte-o em tiras; o bacon funciona como tempero, tem gosto diferente da linguiça; e também a gente precisava terminar com ele)
– 1 pimentão verde pequeno cortado em cubos
– 1/2 cebola cortada em meias rodelas finas
– 2 tomates italianos maduros cortados em cubos
– 1 bandeja (?! não sei dizer o quanto vem… uns 10 ramos) de brócolis de verdade (aquele grandão, não o japonês; corte os talos em pedaços pequenos e deixe a parte das flores inteiras)
– 1 maço de couve (cortada em tiras pequenas, como se fosse fazer refogada)
– 1/2 saquinho de ervilhas congeladas
– os talos picados de 1/2 maço de coentro (as folhas eu usei no arroz, lembra)
– um pouco de pimenta-jamaica, semente de erva-doce, cominho e semente de coentro amassados no pilão
pimenta-do-reino
páprica picante
sal
shoyu
vinagre
margarina e óleo de cozinha (soja, canola, milho, amendoim etc.)

Embora a lista seja grande o processo é simples. Deixe todos os ingredientes preparados e comece fritando o bacon em fogo baixo em uma mistura de uma colher de margarina e uma colher de óleo (é aquela história de não queimar a margarina; manteiga funciona, margarina é para o povo do colesterol). Depois coloque o pimentão, a cebola e a linguiça e deixe refogar um pouco. Acrescente os talos do brócolis e refogue ainda mais um pouco (eles são mais duros, por isso a ideia de deixá-los mais tempo). Nessa hora você já pode por os temperos secos (shoyu e vinagre só no final). Coloque então o restante dos ingredientes e um golinho de água (tipo meio copo) e tampe por uns 3 minutos. A parada vai virar uma sopa: vai sair água pra burro, vai ter cheiro e gosto de sopa, mas não desanime. A ideia aqui é deixar cozinhando com a panela destampada para a água ir evaporando aos poucos e o sabor apurando. Quando já não for mais uma sopa (mas ainda com um caldinho interessante), coloque um pouco de shoyu (acerte o sal) e um pouquinho de vinagre. Pronto. Sirva ao lado do seu arroz vermelho e desfrute.

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GuGomes • 23/09/2012


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