Ju e seu “Rôti de porc à la créole”

Continuando a série de participações especiais (e, espero, não apenas pontuais), minha irmã Ju apresenta sua deliciosa receita de nome fresco, porém de coração rústico. Porco é vida, minha gente!

Esse tal de Rôti com nome invocado é um prato é originário da Île de Réunion, uma ilha francesa que fica ali perto de Madagascar, no quadradinho vermelho do mapa ao lado.

Tive o prazer de conhecer a cuisine reunionnaise/créole com meu patrão nos meus tempos de babá na França. Fabrice adorava cozinhar, principalmente os pratos dessa região em que ele nasceu e cresceu. Aliás, era justamente ele quem cozinhava e lavava (quando não era eu) na casa. Era realmente sua paixão e nós todos aproveitávamos muito bem dela. Tanto dos pratos franceses quanto daqueles da Ilha de Réunion. Foi com ele que comi escargot pela primeira vez e, confesso, adorei!

A cozinha reunionnaise é realmente uma delícia e a maioria dos pratos é bem temperada e, muitas vezes, eles são bastante apimentados. O prato mais apimentado que comi, e que me fez passar até por apuros linguais por conta disso, foi o tal do Rougail Saucisse. Para vocês terem uma idéia, ele utilizava 10 pimentas que tinham a força duma malagueta para 1kg de lingüiça. Mas ficava simplesmente perfeito. A gente tinha que comer com copos de água ao lado, nós menos acostumadas. Ele se divertia e até punha mais pimenta para sentir a emoção mais forte.

Dos vários jantares deliciosos que Fabrice fez, este rôti de porc foi o que eu mais gostei. Logo em seguida, no top 10, vem o Civet de Lapin. Um coelho regado a muito vinho. Este prato aprendi também a fazer, mas nunca reproduzi. É meio difícil achar carne de coelho aqui no Brasil, na França tinha em tudo quanto é prateleira de açougue. O único desconforto ao comer coelho são os ossos minúsculos. Há que se tomar muito cuidado. Aliás, fiz questão de anotar praticamente todas as receitas que o Frabrice costumava cozinhar. O problema é achar todos os ingredientes aqui.

Ou não. Uma vez eu conversava com a irmã do Fabrice que me contava: “Nossa, este fim de semana fiz um steak à la créole você não imagina que delícia!”. Perguntei, curiosa, como é que se fazia esse bife incrível. Ao que ela me respondeu: “É assim, você deixa o bife temperado com vinagre, alho e sal por uma hora, e depois frita”. Sério? O prato mais básico do Brasil assim, com toda essa notabilidade. Achei curioso! Nasci sabendo fazer um steak à la créole.

Enfim, voltando ao assunto do post, o tal do rôti. É uma receita tão, tão fácil que dá vontade de fazer sempre. Aqui em casa já entrou no nosso cardápio mensal junto com o clássico strogonoff, além do quibe de forno e da carne de panela.

É só pegar:

– 1 rodela de pernil [de porco] de 1kg. (Por rodela eu entendo isso aí ó:)
– 6 a 8 dentes de alho
Shoyu

Sal
– 30 cravos
Tomilho
– 3 colheres de óleo

Preparação

É bom deixar a carne temperada por um tempo. Uma hora antes é suficiente. Eu faço uns furos com o garfo na carne inteira e jogo sal, shoyu, tomilho e espalho o alho pela carne toda. Não medi a quantidade de sal e shoyu necessária, mas é o suficiente para salgar 1kg de porco. Mais shoyu do que sal.

Depois de deixar o porco temperado por uma hora, colocar o óleo na panela de pressão e fritar um pouco a carne. Dourar todos os lados, principalmente as gorduras laterais. Acrescentar o cravo, cobrir de água e fechar a panela e deixar por 30 minutos (minha panela é ruim então eu deixo de 35 a 40).

E pronto. A carne fica bem macia e se solta facilmente. Fica um caldinho bem ralinho, quase nada mesmo.

É servido com arroz e salada verde.

Bon appétit!

CarnesReceitas

GuGomes • 14/07/2012


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