Ora-pro-nobis

Adoro passear por supermercados novos prestando atenção em coisas diferentes. Quando me mudo de cidade essa é a minha primeira diversão. Foi assim quando fui pra São Paulo, pra Indianápolis e agora aqui em BH. Na minha primeira ida ao supermercado mais perto de casa descobri um pão de forma com ora-pro-nobis. O quê? Eu e o Gu investigamos toda a embalagem do pão, ollhamos bem a massa para tentar ver o que seria ora-pro-nobis. Desconfiamos que devia ser o nome regional de alguma erva que chamávamos de outra coisa. Mas, como não encontramos nenhuma resposta olhando para o pão, resolvemos comprar para experimentar. Mal cheguei em casa, perguntei ao Google e descobri que ora-pro-nobis é uma planta muito comum em Minas. (Estranho, tenho família mineira, mas nunca vi isso antes…) Diz a Wikipédia:

“Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata), do latimrogai por nós“, é uma cactácea, um cacto trepadeira com folhas[1]. Tem espinhos e pode ser usada em cercas-vivas, se desenvolvendo bem tanto na sombra como no sol.

A propagação dá-se por estacas. Segundo tradições populares, o nome teria sido criado por pessoas que colhiam a planta no quintal de um padre, enquanto ele rezava: Ora pro nobis.

O nome científico é uma homenagem ao cientista francês Nicolas-Claude Fabri de Peiresc, e o termo aculeatavem do latim e significa espinho, agulha.

É um vegetal rico em ferro, ajuda a curar anemias das mais graves. Usa-se como o orégano, em forma de folha seca e moída. Também usada no preparo da farinha múltipla, complemento nutricional no combate à fom e.”

Lindo, comprei um pão super nutritivo, mas que gosto tem isso? Comemos o pão e nada, o sabor da ora-pro-nobis era irrelevante combinado à tanta farinha. Passei a prestar muitíssima atenção às folhas no mercado, precisava achar a folha fresca.

Para minha felicidade, na primeira vez que fui ao Oba daqui encontrei Ora-pro-nobis!  Apesar da internet informar que as folhas dão no quintal e que as pessoas pegam no pé, minhas primeiras folhinhas embaladas em uma bandejinha de isopor custaram quase 3 reais. Segundo o Gustavo, as folhas parecem folhas de árvore. São espessas como um espinafre, mas são lisas. Ao mastigá-las cruas sente-se uma baba do tipo de quiabo, mas cozidas não criam baba, só ficam moles como toda folha cozida. E o gosto? Sinceramente, elas não tem muito gosto.

É comum come-las com polenta, ou colocá-las no frango cozido. Eu fiz de tudo com elas, comi crua junto com a salada, coloquei num frango cozido, coloquei no molho de um macarrão e por fim acabei com elas numa tortinha de legumes, dessas que se faz com tudo que está na geladeira e  massa de liquidificador. Tudo gostoso, saboroso (ela não interferiu no sabor de nada!) e rico em ferro! Viva a culinária saudável, se eu tivesse em casa enriqueceria meus pratos frequentemente com ela.