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A batalha das castanhas portuguesas

Sobrou do natal um saco de castanhas portuguesas já cozidas e deliciosas. Era muita castanha e como só eu como, pois o Gu não acha graça, as congelei. A idéia era ir comendo aos poucos, pura mesmo, pois eu, na época, me recusei a fazer qualquer coisa com as castanhas que estavam tão gostosas! Passados 2 meses, o saco de castanhas continuava no congelador e parecia intacto, apesar deu ter comido algumas vezes. Realmente, eu não daria conta de toda a castanha sozinha, então, me rendi a transformá-la em alguma coisa que nós 2 e quem sabe uns amigos comam. Procurei na internet receitas de bolo, achei várias, uma da Nigella, outra de um site português, mas escolhi uma de um site dos plantadores de castanha nos Estados Unidos. Parecia simples, realmente a receita não tem nada de mais, foram uns problemas de percursso na cozinha que tornaram esse bolo uma batalha.

O quase arrependimento começou com a preparação da farofa de castanha. Deu um trabalho razoável descascar todas as castanhas, em compensação o processador fez em segundos a farofa. Então, descobri que eu tinha o dobro de farofa que precisava, tudo bem, eu posso dobrar a receita. Nessa altura eu já tinha ligado o forno e undado a forma que eu ia usar, uma redonda daquelas que abrem e o fundo sai. Provavelmente o dobro da massa não caberia na forma untada, mas tudo bem, no final eu resolveria o problema e podia rapinho untar outra forma e levar 2 ao forno.

Segui a receita, no caminho, dois ovos podres. Mal me recordo a última vez que eu achei ovo podre, só lembro disso na minha infância, depois que me tornei “adulta” só lembro de ovos bons. Bati todo o bolo até que chegou a hora das claras em neve. Eu nunca tive medo de clara em neve, bato até na mão, contanto que não sejam mais de 3 ovos. Como eu estava munida de uma super batedeira, não tive o menor medo, liguei e comecei a bater. E bate, bate, bate e nada! Não é possível. Espumou, mas estava mole como água. Bate, bate, bate. Pensei: deve ser a quantidade de ovos, vai demorar um pouco mais para ficar dura. Passa o tempo, a batedeira no máximo e nada. Será que não é no máximo? Será que tem uma velocidade específica para bater em neve? Entrei na internet, fiz uma busca rápida. Opiniões divergentes. Voltei para a cozinha, voltei a bater e bater e bater. Perdi a paciência. Chega, vai bolo com clara em orvalho.

Outro problema: o bolo ficou com a massa líquida e a forma de encaixe não funciona com massa líquida, vasa tudo e faz uma zona no forno. Untei outra forma, uma toda decorada cheia de reentranças. Ela foi a primeira que veio na minha cabeça por causa do tamanho, mas na hora que eu virei a massa nela e vi aquele líquido todo tive um “déjà vu” de que aquilo ia grudar e que eu não conseguiria fazer a massa sair inteira de todas as reentranças da forma.

Comecei a reclamar alto, enquanto abria o forno para colocar a forma. Desolada eu fechei o forno, a cozinha estava uma zona, eu já estava a quase 2 horas lutando com o que deveria ser um bolo e achava, de antemão, que no final eu teria farelos. Tristeza sem fim, até que uma voz soou: porque você não colocou na forma de pudim grande que tem ai? Oh!!! Esqueci completamente dessa forma, ela é lisinha, grande, perfeita para o bolo líquido. Tirei a forma do forno, untei rapidinho a forma de pudim, virei a massa e coloquei de volta para assar. Me animei um pouco com a possibilidade de ter um bolo inteiro e bonito, mesmo depois da perrenga. (Depois de feito o bolo e desenformado, percebi que ele formou uma crostinha bem lisa em volta e acho que teria desinformado direitinho da outra forma…)

Cheia de esperança e com a sensação de que apesar de árdua, eu venceria a batalha, respirei fundo, coloquei as luvas e parti para a segunda tarefa: limpar o campo de guerra.

O resultado foi ótimo. Como vocês podem ver o bolo ficou fofinho, apesar das claras moles. O sabor é delicioso. Recomendo para os aventureiros, ou para aqueles dias entediantes em que as horas não passam, pois você gastará um bom tempo com o bolo e será muito bem recompensado com um bolo inteiro delicioso para você chafurdar o tédio. Aqui em casa, as fatias valem ouro. Como ele ficou delicioso e eu já avisei que a receita não será repetida (pelo menos enquanto eu me lembrar dessa guerra e não me render a um pedido encarecido), cada garfada é saboreada como se fosse a última.

Bolo de Castanha Portuguesa dos produtores americanos

– 1/2 xícara de Óleo de Oliva
– 1 xícara de Farinha de Castanha
– 1/4 xícara Nozes
– 1/2 colher de chá de Fermento
– 1/2 colher de chá de Bicarbonato de Sódio
– 1/2 colher de chá de Sal
– 3 Ovos (gema separada da clara)
– 1/2 xícara de Mel
– 1/4 xícara de Açúcar (eu diminuí e usei só 2 colheres de sopa. O motivo foi que eu esqueci do açúcar em uma das etapas. Como o bolo ficou ótimo sem elas acho que as 2 colheres podem ser excluídas. Na verdade, acho que o açúcar todo é desnecessário. O bolo ficará suficientemente doce só com o mel e sua saúde agradece a economia de açúcar.)
– Açúcar de confeiteiro para cobertura

1. Coloque a prateleira do forno na posição do meio e pré-aqueça o forno a 180˚C
2. Unte com manteiga e farinha uma forma redonda de aproximadamente 25cm de diâmetro
3. Torre as nozes no forno por 20-25 minutos. Esfregue com um pano para tirar a casca (não vai sair completamente), bata no processador para quebrar em pedaços médios, mas não deixe virar farinha. (eu pulei a fase de torrar as nozes e descascá-las e passei no processador com casca e tudo, não acho que faz diferença.)
4. Misture a farinha de castanha, o fermento, o bicarbonato, o sal e as nozes.
5. Em outra tigela bata as gemas com o óleo, o mel e 2 colheres de sopa de açúcar (eu não coloquei essas colheres de açúcar) até ficar claro e cremoso (por +- 5 minutos). Acrescente a mistura de farinha e misture devagar até ficar homogêneo.
6. Bata em neve as claras com uma pitada de sal. Depois de dura, daquela que vc vira de cabeça para baixo e não cai, adicione aos poucos (se quiser, eu não colocaria) 2 colheres de sopa de açúcar. Incorpore em 3 partes a clara em neve à massa.
7. Coloque na forma e asse por 30 minutos. Cubra com papel alumínio e asse por mais 10 a 15 minutos.
8. Deixe esfriar em uma grelha e polvilhe açúcar de confeiteiro para enfeitar.

BolosReceitas

PriBorges • 27/02/2010


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Comments

  1. titia 02/03/2010 - 19:13 Reply

    Só de ler eu fiquei cansada!!! ufa!!Por pouco eu comia uma fatia.bj

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